Filmes sobre renascimento

Orlando, A Mulher Imortal (Orlando, 1992)

Direção: Sally Potter

Ótima adaptação da biografia fantástica Orlando, de Virginia Woolf. Este também foi o filme que projetou Tilda Swinton, na minha humilde opinião. Retrata a vida de Orlando, um personagem que atravessa os séculos – o tempo, o espaço, e até a fronteira entre os sexos – num coming of ageeterno, experimentando a condição humana em direferentes fases (e com diferentes sexos) numa viagem pelos espíritos de época do século XV até o XX. É uma das minhas obras favoritas (tanto o filme, quanto o livro) pela alegoria a um só tempo potente, criativa e muito bonita.

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Farinelli, Il Castrato (1994)

Direção: Gérard Corbiau

Biografia de Carlo Maria Broschi, o Farinelli, que foi o castrato mais famoso (ao lado de Caffarelli) e bem pago da história, praticamente um popstar do século XVIII. O filme apresenta não somente curiosidades sobre os cantorescastrati (que eram castrados ainda na infância, devotavam-se à música e eram proibidos de se casar), mas tem enfoque especial sobre a relação do cantor com seu irmão mais velho, e que o castrara contra a vontade, o compositor Riccardo Broschi, com quem dividia tudo, até as amantes. O filme é uma viagem sensual pelas pomposas óperas do século XVIII.

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Carlota Joaquina, A Princesa do Brazil (1995)

Direção: Carla Camurati

Sim, por que não? Apesar de caricato, o filme de Carla Camurati manteve um nível razoável de fidelidade aos fatos históricos, aguçando as características mais estapafúrdias dos personagens reais para compor essa adaptação burlesca (quem quiser conferir, consulte o livro 1808, do Laurentino Gomes). Chama a atenção o início do filme, que mostra a vida da infanta Carlota na corte espanhola, rodeada de artistas e festanças, e, do casamento com D. João VI, a súbita entrada na estranhíssima corte portuguesa, carola, desanimada, sem festas, comandada por uma rainha louca e um príncipe covarde. E depois, o transporte atrapalhado dessa pompa e realeza ao Brasil tropical. Dispensando as piadas, o episódio da fuga da coroa portuguesa para o Brasil é exótico por si mesmo, e único na história das monarquias europeias. Os próprios brasileiros costumam ignorar que essa foi a grande guinada da história do Brasil (e também de Portugal), sem a qual não haveria hoje essa unidade territorial e política ou mesmo o nosso não-de-todo-ruim desenvolvimento estrutural e econômico.

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O Rei Dança (Le Roi Danse, 2000)

Direção: Gérard Corbiau

Do mesmo diretor de Farinelli, Le Roi Danse faz um retrato artístico da corte de Luís XIV, o rei sol, aficionado por música e balé, abordando sua relação de proteção e mecenato com Jean-Baptiste Lully, compositor tão talentoso quanto louco; e também a relação ambígua de amizade e rivalidade entre Lully e o dramaturgo da corte, Molière. Enfoca também a disputa entre a devassidão apaixonada dos artistas e o moralismo cristão, personificado na figura da rainha mãe, Ana de Áustria. Filme impecável pelos figurinos e fotografia.

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Casanova (2005)

Direção: Lasse Hallström

Casanova é, talvez injustamente, um dos filmes menos citados de Heath Ledger. Na adaptação cinematográfica desse peculiar personagem da Veneza do século XVIII – o maior sedutor da Idade Moderna – a opção foi pela comédia romântica. A inquisição veneziana está tentando endireitar o bon vivant, impondo-lhe uma sentença terrível: “casa-te ou vai pra forca”, e a Casanova resta a tarefa de arrumar uma esposa em tempo recorde. Nisso, ele se apaixona por Francesca Bruni, que é – vejam só – a maior feminista e detratora de Casanova nessa carnavalesca Veneza. Um filme leve, gracioso e visualmente interessante.

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Maria Antonieta (Marie Antoinette, 2006)

Direção: Sofia Coppola

Uma história de muitas joias, rendas, sedas e frufrus na luxuosa corte de Versalhes. Maria Antonieta, princesa austríaca, tornou-se rainha da França ao casar-se com Luís XVI. A história lhe deu um rodapé memorável com a frase “se os pobres não têm pão, que comam brioches” e um final terrível com a decapitação na guilhotina. O filme, fiel ao cenário da época, projeta um ponto de vista contemporâneo sobre a vida de Maria Antonieta, retratada como uma patricinha do século XVIII, que adora fazer compras e sair de balada, gastando sua beleza com os problemas do seu casamento, completamente alienada da realidade miserável que corria por fora dos portões de Versalhes. De certo modo, o filme lhe faz justiça: se Maria Antonieta entrou para a história como uma rainha que não se importava com o povo, que conste o fato de que ninguém lhe disse que ela deveria se importar.

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Os Fantasmas de Goya (Los Fantasmas de Goya, 2006)

Direção: Miloš Forman

Nem festas, nem banquetes, nem óperas. Diferente de outros países da Europa em fins do século XVIII, a Espanha retratada em Os Fantasmas de Goya é um reino sombrio, melhor definido pelos monstros que povoam as ilustrações de Goya, e onde o artista sofre censuras e tem que se curvar à vaidade dos reis e ao rigor da terrível e famosa – e famosa por tão terrível – Inquisição Espanhola. A história acompanha Goya e seu círculo de relacionamentos do palácio de Carlos IV aos calabouços da inquisição, até a carnificina das guerras napoleônicas.

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Elizabeth, The Golden Age (2007)

Direção: Shekhar Kapur

Megaprodução do cinema épico (e sequencia do filme Elizabeth, de 1998) com lindíssimos cenários e figurinos, e ótima atuação de Cate Blanchett (cuja beleza é uma enorme licença poética emprestada à personagem histórica), remonta a trajetória de Elizabeth I, a primeira grande mulher estadista da Idade Moderna e uma das maiores que já houve. Tendo herdado o trono após o desastroso reinado de sua irmã Bloody Mary (Maria I), Elizabeth conduz a Inglaterra a um período de prosperidade ao custo da quase total anulação da sua vida pessoal, e que dirá amorosa (razão pela qual foi eternizada sob a alcunha de Rainha Virgem).

 

https://cristinalasaitis.wordpress.com/2010/11/14/9-filmes-renascentistas/

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